quarta-feira, 14 de novembro de 2007

BM&F

Flipper ou longo prazo? Avalie os pontos fortes da BM&F antes de decidir

Por: Camila Schoti
13/11/07 - 10h30
InfoMoney

SÃO PAULO - Antes da oferta pública de ações da Bovespa Holding, a venda de papéis provenientes de IPO (Initial Public Offering) em seu pregão de estréia parecia depender - ao menos para quem não tinha horizonte de investimento de longo prazo - majoritariamente da variação no preço dos papéis na ocasião da estréia na Bolsa.

Este quadro, porém, parece ter sido alterado pela política anti-flipper adotada na oferta da Bovespa Holding e, agora, na oferta pública de ações da BM&F(Bolsa de Mercadorias & Futuros). Com a adoção dessa política, a decisão de venda dos papéis adquiridos no período de reserva em seu pregão inicial deve passar também pela possibilidade de exclusão de alguma oferta pública futura.

BM&F: vale a pena segurar?
Uma ponderação ex-post da oferta da Bovespa, por exemplo, sugere que quem resistiu à valorização de 52,13% que os papéis registraram em seu pregão de estréia e não os vendeu até o dia 31 de outubro, um dia após a data de liquidação, acumulou, até então, ganhos de 41,30%. Até a última sexta-feira, porém, os ganhos chegaram a 60,87%. Entretanto, é comum que nos períodos subseqüentes à estréia de ações de IPOs verifique-se um ajuste nas cotações dos papéis.

Em todo caso, a tendência que as ações apresentarão após suas estréia não depende de um fator único, mas esta estará sujeita, sobretudo, às condições do mercado e do perfil da empresa, seu desempenho operacional e financeiro e as perspectivas para seus negócios.

Portanto, avaliar se vale ou não a pena vender os papéis da BM&F em seu pregão de estréia, ou se estes apresentam boas perspectivas de longo prazo, está longe de se limitar a avaliar o desempenho passado de ofertas públicas de ações anteriores.

Afora o próprio perfil do investidor, o custo de oportunidade e as perspectivas para o cenário macroeconômico, que se configura como um risco ao mercado acionário em geral, não se limitando, portanto, apenas a esta ou aquela empresa, é preciso olhar com algum cuidado para a empresa, seus negócios e resultados e com a BM&F não é diferente.

Atenção ao que é fato
A BM&F é a maior bolsa de futuros da América Latina e uma das maiores do mundo em número de contratos negociados. No ranking global, perde apenas para a Chicago Mercantile Exchange, Eurex Deutschland e Euronext, segundo informações disponíveis no prospecto preliminar da oferta.

No acumulado deste ano até o mês de setembro foram negociados em média cerca de 1,8 milhão de contratos de derivativos por dia, evolução de aproximadamente 61,6% frente ao mesmo período do ano anterior. No período de quatro anos encerrados em 30 de setembro de 2007, a taxa anual composta de crescimento em termos de quantidade de contratos negociados da BM&F foi de 35%.

A BM&F, que destaca as taxas de crescimento dos mercados de derivativos brasileiro superiores às taxas internacionais, afirma ainda que este mercado tem forte potencial de crescimento futuro.

As principais linhas do resultado da BM&F no período compreendido entre janeiro e setembro de 2006 frente ao mesmo período de 2007 também apresentaram expressiva evolução, confira na tabela abaixo:

(em R$ milhões) 9T06 9T07 %
Receita Líquida 219,6 292,6 +33,24%
Ebitda* 64,9 136,5 110,32%
Lucro Líquido 143,1 222 55%
* Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização

De acordo com a empresa, sua principal fonte de receitas são os emolumentos, isto é, a cobrança de taxas pela utilização de seus sistemas de negociação e pelos serviços prestados por suas Clearings, que atuam como contraparte central garantidoras das operações registradas, as quais decorrem taxas que representam os custos operacionais de seus clientes, como taxa de registro, taxa de permanência e taxa de liquidação.

Estratégias de negócios
Em relação à sua estratégia, a BM&F esclarece em prospecto que os pontos-chave desta são a ampliação do volume negociado por clientes estrangeiros, através do desenvolvimento - já em curso - de mecanismos que diminuirão seus custos que facilitarão sua participação nos mercados da BM&F e o desenvolvimento de nova plataforma eletrônica de negociação, com início de funcionamento previsto para 2008.

Está previsto também o desenvolvimento de nova plataforma de registro de operações de derivativos de balcão, o lançamento de novos produtos, como o contrato futuro de credit default swap (CDS) da dívida externa brasileira, expansão das atividades de Clearing de Ativos, expansão da atuação do Banco BM&F e busca de novas alianças e parcerias.

Não se pode perder de vista, porém, que tão importante quanto avaliar as qualidades e características da empresa, é a avaliação dos riscos inerentes aos negócios da empresa. Conhecer a empresa, seu mercado de atuação, seus riscos e os cenários aos quais esta pode estar exposta é essencial para quem planeja ter em sua carteira ativos cujo horizonte de retorno é de longo prazo.

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